Eu quero mais… (É que você morra) *
Tudo bem que as propagandas da Net nunca foram um primor de criatividade, mas por um bom tempo o tal ator brincando de general russo e a ideia de Sibéria davam conta de vender os tais combos de produtos-que-não-funcionam-direito da empresa; nunca fui particularmente fã daquele grito de Skavurska (misspelled?) ou daquelas imagens congeladas de quem estava fora do tal mundo dos Nets, mas duraram tanto tempo que não posso negar que tinham lá o seu apelo.
Não posso imaginar se outras pessoas que partilham comigo de profissões ligadas a publicidade, marketing, criação e infernos similares tinham a mesma impressão de tosquice e bobeira; também não sei se arquitetos, cientistas, jornalistas, engenheiros e demais profissões menos infernais achavam aquilo minimamente divertido mas, vá lá, o conceito não era dos piores.
Mas, como muitos sabem, o inferno tem seus vários círculos e aparentemente saímos do primeiro diretamente para o nono e último deles: a tenebrosa “Propaganda da Loira Gritando”.
Primeiro, a casa em que a propaganda foi gravada é, sem a menor dúvida, uma reutilização de um cenário de algum filme brasileiro de sacanagem. Sério. Você já viu qualquer coisa da Brasileirinhas ou outra produtora nacional? É o tipo de casa em que eles adoram por todo mundo pra trepar. E a cara dessa loira gritando combina bem com as produções nacionais de filmes B de sexo explícito, mas isso não vem - mesmo - ao caso.
Depois do cenário caligulesco, vem a atuação da pessoa… Preciso MESMO comentar?
Tudo bem, você já quer morrer nesse ponto e ainda não falamos da música: a letra, a interpretação e o ritmo, que ficam abaixo das piores expectativas que qualquer ser humano pode ter, mesmo quando vai assistir um show de sertanejo universitário.
Dizem que esse tipo de música faz um enorme sucesso em certas partes do nordestes, em alguns círculos sociais e entre adolescentes ou adultos de mentalidade neanderthal-like; também já foi comentado que esse sucesso aumenta exponencialmente em tempos de carnaval. Nunca comprovei a tese simplesmente por motivos de higiene.
Não sendo isso suficiente, a simpática operadora costuma programar algo ao redor de noventa milhões de inserções por dia em cada canal, além de repetir ad nauseum no canal 37; sim, justamente o canal em que o maldito conversor está - sem opção de ser mudado - quando você resolve ligar sua TV logo depois de acordar.
Acordar com aquilo na cabeça é, provavelmente, mais excruciante do que ter seus bagos extraídos com uma motosserra. Ouvir a tal “música” logo de manhã causa pensamentos que vão do assassinato em massa (a agência de publicidade, a tal loira que grita, as pessoas que aprovaram o comercial, de preferência todos de uma só vez) ao simples ato solitário do suicídio no banheiro.
Até hoje nada, absolutamente nada, irritou tanto quanto essa propaganda. Nem chegou perto. E começo a cogitar um movimento coletivo de cancelamento de assinaturas até que esse gigantesco monte de merda que é esse comercial saia do ar.
(Sim, eu passei um pouquinho dos limites. Esse é o tamanho do sentimento negativo que a “Propaganda da Loira Gritando” causa.)
(Aqui cabe um parêntese: Se dependesse de mim, não seria parte dessa infeliz comunidade de usuários da Net, mas acontece que a TVA resolveu, alguns anos atrás, culpar o prédio do Banespa (sério, eu ouvi isso da atendente) pelo sinal medonho da TV por assinatura deles que chegava até a minha casa e eu não tive escolhas. Pesa ainda o fato de a TVA cobrar cada mísero ponto extra também em condomínios, coisa que - pelo menos isso - a Net aprendeu a não fazer.)
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* - O título deste post é um mashup da medonha música da propaganda da Net com a pérola do rock paraense “Esse sim é um grande…” d’A Sexta Geração Da Família Palim Do Norte Da Turquia.






